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E-mail garante remédio
27/7/2002
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Em fevereiro do ano passado, quando o remédio Interferon Peguilado teve sua utilização liberada no País, 300 portadores de hepatite C, do tipo 1, no Rio, ganharam uma nova esperança para o tratamento da doença. Ontem, após um ano e meio de espera e mais de 1.500 e-mails enviados ao presidente Fernando Henrique Cardoso e ao Ministério da Saúde pedindo a distribuição do remédio pela rede pública, os pacientes finalmente tiveram sua reivindicação atendida. O ministro da Saúde, Barjas Negri, assinou novo Protocolo de Tratamento da doença, anunciando que o Interferon Peguilado começará a ser distribuído pelo SUS (Sistema Único de Saúde) até setembro.

O remédio, de acordo com o presidente do Grupo Otimista, que reúne doentes com hepatite, Carlos Varaldo, aumenta para 42% as chances de cura. ''Antes, com o Interferon comum, apenas três de cada 10 pacientes conseguiam eliminar o vírus da doença'', afirmou Varaldo. A medida vai beneficiar, segundo ele, 1.200 pessoas, 300 delas no Rio - todas em tratamento contra o tipo 1 da hepatite C. ''É uma esperança de vida'', comemorou o engenheiro Aroldo Cota Pereira, 56 anos, portador da doença desde 1991.

O engenheiro sabe muito bem o que significa a distribuição do remédio pelo SUS. Desde o ano passado, Aroldo trava uma batalha contra o governo federal para ter acesso ao medicamento. ''Eu só consegui receber o remédio quando entrei com uma liminar contra o governo para garantir esse direito'', lembrou o engenheiro. ''Essa decisão é muito importante. Mesmo que o paciente não fique curado, o avanço da doença vai ser impedido. É mais uma sobrevida que ganhamos'', argumentou Aroldo, otimista.

Assim como o engenheiro, outros 102 pacientes no Rio foram obrigados a recorrer à Justiça para ter o remédio. ''Mesmo assim, a entrega não era regular e o custo do tratamento é muito caro'', afirmou Aroldo. Carlos Varaldo lamenta que a decisão do Ministério da Saúde não tenha sido tomada antes. Um ano e meio de espera certamente foi decisivo para quem tem a doença. ''Se o remédio tivesse sido distribuído antes, a chance de cura seria maior para muitos pacientes'', ressaltou o representante do Grupo Otimista.

A estimativa do Ministério da Saúde é de gastar aproximadamente R$ 2 milhões por mês com o tratamento de 1.200 pacientes em todo o país. Ontem, o órgão informou que a medida de introduzir a distribuição do Interferon Peguilado no SUS não tem relação com a pressão dos pacientes. A decisão já estava tomada, de acordo com o ministério.

Jornal do Brasil

 


Fonte: Site da Abifarma

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